domingo, 2 de dezembro de 2007

Filhos

Quando tiver meus filhos - se os tiver - tentarei deixá-los os mais independentes de mim possível. Diferente da minha mãe, que tenta me mimar, comprando-me com comida, dinheiro, gentilezas e uma subserviência incômoda, não quero ser assim. Mais jovem, nunca desejei ter filhos, aquela velha ladainha de achar que o mundo é ruim demais para filhos, que os pais projetam (isso nem tanto ladainha) nos filhos os seus sonhos frustados etc. Eu poderia tentar ter um filho depois de realizar meus sonhos mais possíveis, seria uma saída dessa mentira. Mas a questão são os mimos e os pais servirem de empregados aos filhos. Incomoda-me isso em minha mãe. Penso que ela sente que já sou um "grande rapazinho" e que ela vai me perder para o mundo, por isso ela insiste em ir para onde eu vou, de me dar tudo na boca, assim ela pode pensar que eu vou me consolar e ficar com ela. Mas eu já me perdi a muito tempo desse conforto. Os mais interioranos (e para mim, uns pé no saco) dirão que eu sentirei falta quando me distanciar da família. Besteira. A coisa que mais me felicitou foi me distanciar de toda essa hipocrisia familiar, dessa ajuda egoísta que cada um dá para o outro para depois pedir de volta (quando não, ter um status de dominador e vencedor da família). Agora a mãe minha está ali, cozinhando para seu filho de 5 anos, bem, é como ela me trata. Mas ah! Vá o filho dela contrariar os princípios dessa mulher, dali não existe mais filho e nada mais. É uma pena. Se tudo isso fosse por ela estar preocupada com minha solidão, minha falta de convívio familiar e essas coisas, eu poderia até estar feliz e respeitar os cuidados que ela me dá, mas, não é nada disso. Ela só tem medo da solidão que ela sentirá, pois perderá o último filho para o mundo e assim - já que ela é mulher de nenhum amigo - perderá o único que a tem com respeito e talvez amor. Isso é triste, para mim e para ela.

Um comentário:

L.H. disse...

P.

dá em mim saudade de vc as vezes.